Qual o lugar que os adolescentes ocupam?

Esse momento da era atômica é um momento em que, mais uma vez, os adultos provam a sua incapacidade de gerenciar o mundo E é esse o momento em que estes jovens mostram aos pais que os clichês de gênero, o guerreiro, o pai de família, a mãe de família, não lhe servem, eles são da rua, eles são desse espaço que os pais nem sabiam que existia, esse espaço que não é de casa nenhuma, esse espaço que não é o da igreja, esse espaço que não é de nenhum lugar que eles conhecessem, esse lugar nenhum que é o lugar que os adolescentes ocupam, à deriva

Se a gente puder pensar a adolescência como uma era atômica para a humanidade, explosiva, que explodiu todas as certezas, talvez a gente possa pensar o sofrimento desses adultos e o sofrimento de tantos adultos que hoje ainda pedem que não se discuta gênero nos colégios, que chega dessa coisa de duvidar de tudo, que chega dessa coisa de relativizar de tudo, a guerra que começou lá nos anos 50 contra esse espaço vazio, essa utopia que lá estava retratada nessa incompreensão desses pais que aparece tão clara, tanto em juventude em ‘Rebelde sem Causa’, quanto num outro filme 'O Selvagem', onde tem uma guerra entre esses motociclistas que se rebelam também contra coisa nenhuma, que não tem sentido nenhum, e os velhos da cidade acaba virando uma espécie de guerra campal, então nesse confronto nós vamos ver um mundo que se dissolve em várias guerras e muitas promessas não cumpridas numa inconstância que nunca mais parou, porque depois de destruir uns aos outros a gente começou a se profissionalizar em destruir o planeta e os jovens que começam a se colocar: "bom, eu não quero esse troço, eu não quero ser adulto como vocês, mas eu não sei o que eu quero ser" Então, vamos sonhar algumas coisas e essas coisas são desfiapadas, não é coisa que ninguém consiga se agarrar, por isso é tão difícil a gente olhar para o nosso adolescente

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