Por que “pessoas de excelente qualidade humana” não conseguem dialogar?

Martin Buber, uma criança que aos seis anos de idade ainda no século 19, quando a separação entre pais era um desastre nacional, ele teve seus pais separados aos seis anos de idade Fez-se então, aos seis anos de idade, ele fez a si mesmo a pergunta que iria ser o leitmotiv, o grande mote de todo o seu pensamento dialógico ao longo de 86 anos que ele viveu

Perguntava-se Buber: "por que pessoas de excelente qualidade humana, como eram os pais dele, não conseguem dialogar? Não chegam a um diálogo de profundidade" Então ele inventou as chamadas palavras-princípios, e ele chama de palavras-princípios umas combinações estranhas que ele mesmo fez, estranhas porque são pronomes com pronomes, né? Então ele cria a palavra eu-isso, um pronome pessoal, um pronome demonstrativo, eu-isso, eu, hífen, isso, para se referir às relações objetais As nossas relações com o mundo das coisas Ele cria a palavra eu-tu, que é a palavra que regerá todas as relações entre seres humanos E ele cria a palavra-princípio, como místico, judeu e não poderia abrir mão disso, ele cria a palavra princípio eu-tu-eterno, que é a terceira palavra-princípio

Então, nos diz Buber: "nós temos três níveis de relacionamento: primeiro, a vida com a natureza; depois o nível da vida com os homens; e terceiro, o nível da vida com o absoluto" E, ensina-nos Buber: a primeira experiência eu-isso que nós temos é a nossa experiência com o nosso ambiente geográfico, com a nossa paisagem geográfica Isso tem muito a ver com a disposição de espírito das pessoas, com a personalidade, com o caráter, se nasceu no agreste, se nasceu numa região fecunda, se nasceu no deserto, numa região desértica, isso tem tudo a ver Então, primeiro eu-isso é com a paisagem Lá, o horizonte que está distante, as árvores, as águas, os rios

Segundo nível ainda do eu-isso, portanto estamos na vida com a natureza, segundo nível do eu-isso é a nossa relação com os objetos próximos Então eu preciso desse microfone, preciso dessa pasta, preciso desse papel, desse óculos, dessa água que está aqui do meu lado, os objetos próximos Relações objetais, até aqui nada de surpreendente, nada de novo Bubel começa a surpreender agora, quando na primeira parte do seu poema, ainda falando das relações objetais, ele diz algo muito estranho e curioso entre seres humanos É que muitas vezes as suas relações são eu-isso

São relações objetais, são relações eu-isso entre pessoas

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