Deve haver uma desconstrução dos padrões de beleza?

Essa busca do corpo eternamente jovem, que me parece existir muito além do espaço social contemporâneo, encontra na sociedade contemporânea três particularidades Pode ser que haja muitas outras, mas eu identifico três: primeiro, aquela procura neoliberal no sentido que se volta pra um mercado amoroso, ultracompetitivo e que em muitos aspectos se interessa apenas na posse exclusiva na propriedade particular do objeto amado

A moça paga o cirurgião plástico para obter um namorado que vai ter que amar ela mais do que apenas pelo corpinho que ela tem Segundo aspecto é o fato de que essa procura na sociedade contemporânea, a procura da juventude corporal é uma procura paradoxal porque tende a conciliar a ideia de um corpo naturalmente jovem, uma nudez sem enfeites, sem adereços, com a ideia de um artifício que se disfarça sob a pele como uma injeção de silicone E isso pode ser complicado porque a pessoa reconhece cada vez menos o que é natureza e cada vez menos o que é artifício As coisas se confundem e talvez isso seja o que faz algumas pessoas se acharem lindas diante de quando elas estão cobertas de botox e não percebem que elas estão cobertas de botox E em terceiro lugar, eu diria que na sociedade contemporânea, a busca da juventude se torna menos uma utopia estética, um desejo legítimo do ponto de vista da atratividade sexual que o cara deseje ter e mais um problema de integridade moral

E isso pode trazer angústias mais sérias e mais inúteis para a vida dele Um grande avanço haveria se houvesse, se insistisse mais numa desuniformização dos padrões gerais, né, que são ainda muito impostos pela, pelos meios de comunicação de massa, pelo cinema, pela televisão e tudo mais

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