Como a alegria pode resistir diante da morte?

A felicidade não precisa de psicanalista Ela é louca

Quem precisa de psicanalista somos nós, neuróticos Um louco não precisa de psicanalista Como se fez o neurótico? Ele veio da racionalidade? Ele é um fruto do quê? Eu acho que uma das coisas mais fortes que nos empurram para a neurose é o fato da gente saber que a gente é finito Pensar na morte é uma afecção triste Pensar na morte é tristeza

Pensar na morte engole o mínimo de alegria que a gente ainda possa ter com a gente Qual o papel da alegria? Não é entrar no processo de denegação, dizer “a morte não existe” Não se trata disso Isso aí seria uma loucura, uma loucura que não é a boa, essa é a psiquiátrica A nossa grande força não é evitar este assunto, mas é trabalhar esse saber morte com o sabor alegria

É dar ao saber morte o sabor da alegria Eu não nego a morte, mas eu me autorizo a não deixar que este sentimento de tristeza possua o meu corpo que ainda é a minha alma Então aí a alegria surge A neurose vai haver? Vai Mas é muito difícil uma neurose se manter numa coabitação com a alegria

E o próprio do neurótico é “ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de meu amor" Ora, essa demanda de amor, ela é indigna Nós não temos que ficar numa demanda de amor, nós temos que inventar as relações e para inventar as relações nós temos o elemento essencial dessa invenção: nós não vamos reproduzir, nós vamos produzir E aí pinta a alegria A alegria é quando você treme, a alegria é quando você vibra, a alegria é quando seu amigo morreu, sua mãe morreu dentro da sua casa, morre, morre-se por todos os lados, mas eu não vou absolutamente homenagear a morte, homenagear a ausência, dando razão ainda a essa fatalidade Não

Eu vou produzir fluxo de alegria fazendo o quê? Criando uma memória que é a memória do esquecimento

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